terça-feira, 13 de junho de 2017

Verme e podridão, assim, grudados.

Está rolando ai um abaixo assinado para o impeachment de Gilmar Mendes. Engraçado que ninguém fala em pedir o impeachment de Fachin ou Janot, que estão cometendo flagrantes ILEGALIDADES. Ou tem alguém achando que aquelas gravações dos irmãos Batista que lhes proporcionaram o perdão por serem os campeões dos crimes não estão crivadas de ilegalidades?
Mas, vamos analisar friamente o DEIXA QUE EU CHUTO Gilmar Mendes. Comparativamente, digo com franqueza, pra mim, Gilmar é o MELHOR - podemos pensar no decano, Celso de Mello,tudo bem. Vota sempre com clareza e também votos técnicos, e foi assim também que votou no caso dos embargos infringentes de José Dirceu - mas isso fica pra outra hora.
Mas Gilmar é um liberal, ao pensar o Estado e a Economia e não inventa lei. Seus votos são técnicos e quase sempre concordo com seus votos. Já ouvi muitos e li vários na íntegra! Não estou falando de orelhada, que todo mundo sabe que sou louca mesmo e leio petições e votos na íntegra.
E desta vez Gilmar tb foi técnico, mas não somente.
Teria que cassar a chapa Dilma Temer, ora essa. Também achei isso, mas vão me desculpando, se era para cassar esta chapa era para ter feito isso no máximo uns 3 meses depois da inicial. Teve o impeachment e o relator - que agora posa de caça corruptos - não se manifestou! Ah, Brasil...
E quem vai ficar no lugar de Temer? Rodrigo Maia comandando eleições indiretas? E quem será eleito por este congresso? Temos alguém, neste momento? Eu até acho que poderia ser FHC ou José Serra. Mas já imaginaram a gritaria? E acham mesmo que escolheriam algum notável?
Será que estas eleições indiretas (diretas, não, né gente? Diretas-já é uma bobagem de gente que quer só a gritaria. E não vai rolar, é inconstitucional, etc) e iria iria arrastar essa crise e e clima de indecisão que servirá apenas aos especuladores financeiros - costumam LUCRAR muito com a crise. E quem perde? Classe média (existe ainda?) e os pobres.
Gilmar também fez algo que a lei também aconselha: In dubio pro reo. Gilmar aliás, só precisaria votar para desempatar. E, reitero, no desempate, pro réu. Mas, no fundo Gilmar Mendes fez o que muita gente de bom senso faria: optou pelo MAL MENOR.
A gente tem que lembrar que QUEM DESTRUIU O BRASIL, deixou tudo assim, como está, FOI O PETISMO, LULA, DILMA, sua corrupção institucionalizada e praticada em escala jamais vista. E entre a HERANÇA MALDITA desse grupo inominável, o velho PMDB com seu fisiologismo. Ficasse no fisiologismo, tudo bem. Mas está ligado ao PT como "o verme à podridão" e praticou o que nos enoja a todos. Sim, nos enoja.
Temer compõe esse grupo que nos enoja. Mas ao menos é moderado. E são os moderados que salvam o país, já que os moderados costumam conduzir reformas. Os radicais já partem para a destruição e porrada. Sejam de direita. Sejam de esquerda.
Sigamos. E que este "mal menor" seja de fato menor. Para isso, claro, devemos observar todos os políticos, todos os ministros, todo o JUDICIÁRIO que está querendo mandar no Brasil. Mas não pode. São 3 poderes. E nenhum deve se sobrepor ao outro. Assim é a república. Assim deve ser nossa democracia.
#ficatemer. #discordopontocom.

"verme à podridão", expressão de Guerra Junqueiro em Caridade e Justiça, poema do livro A Velhice do Padre Eterno.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Os dias eram assim, ou, não, os dias não eram assim.


Que preguiça a série da Globo "Assim eram os dias". Começa com o personagem cantando Deus lhe Pague quase dois anos antes dela ser composta, até colocar os cenários dos escritórios brasileiros imitando sofisticadas séries inglesas e as casas com leve aspecto vintage, como manda certa estética presente. Pesquisar revistas de decoração da época jamais seria suficiente para orientar um cenógrafo. Aliás, por que não pesquisaram as próprias novelas da rede Globo? Ali estava a estética real das casas e escritórios brasileiros.
A ficção não se presta ao realismo, mas reconstituição de épocas não prescinde desse rigor, não deve ofender a realidade. Um exemplo da irresponsabilidade da pesquisa histórica - o diabo também está nos detalhes - foi inventar batons vermelhos para filhinha contestadora. As contestadoras dessa geração eram aquelas que saiam de cara-lavada, rabo de cavalo, ofendendo o padrão de beleza das mocinhas de família com vestidinhos bordados e batons cor de rosa. O batom, aliás, nesses anos de estética frágil e flutuante, foi banido. A indústria cosmética demorou muito para perceber a importância deste produto em seu faturamento. Depois surge nas ruas, um jovem pichando Abaixo a Ditadura usando um impensável moleton com improvável mochila nas costas. Isso sem considerar as calças de brim largonas - ou eram apertadérrimas (cafona, digamos assim) ou bocas de sino. Ah, em tempo: as pichações Abaixo a Ditadura foram muito comuns dois anos antes. Em 1970 havia um clima de mordaça de outra natureza e não mais as grandes passeatas e correria pelas ruas, menos ainda longos tiroteios que serviram de trilha sonora para o beijo do casal central.
E o máximo que podemos condenscender em relação à bomba caseira atirada no saguão de um edifício no centro da cidade é que tenha sido uma uma alusão ao Orlando Lovecchio. Mas duvido, pois esse jovem que foi vítima, em plena Avenida Paulista, de um atentado a bomba praticado pela guerrilha que atuava contra o regime militar no Brasil, em 1968, ou seja, vítima dos heróis que talvez sejam enaltecidos na série.
Também não é plausível "inaugurar" uma placa Brasil, ame-o ou deixe-o" slogan da era Médice que surgiu aos poucos, como adesivos para carros, penetrando sorrateiramente na mente dos incautos brasileiros que precisavam mesmo é ralar para fazer frente a inflação que os ameaçava com a crise do petróleo. Os cenários e figurinos são vergonhosamente anacrônicos. Só faltou a fotógrafa fazer um selfie da fuga.

domingo, 18 de outubro de 2015

Discordo Ponto Com: Déjà Vu

Discordo Ponto Com: Déjà Vu: Convivíamos com um contínuo mal estar que evoluía para intensa angústia, diuturnamente. Quando tudo parecia bem – por que nada estava, mera...

Déjà Vu

Convivíamos com um contínuo mal estar que evoluía para intensa angústia, diuturnamente. Quando tudo parecia bem – por que nada estava, meramente parecia estar – bastava uma pequena lembrança, um átimo de tempo e éramos soterrados naquele estado mental de indignação e revolta. Doloroso estado de revolta. Insuportável e inescapável indignação.
E vieram os mais brandos que os terríveis anos de chumbo: Araguaia caída, mas agora não era mais necessário esperar por sua capitulação. Wladimir Herzog, capaz de perturbar o sono do mais alienado direitista, era fato consumado. E uma mulher que chorava como dobravam os sinos era sonora e bela melodia e jamais ouviríamos a cantilena melancólica de Chico Buarque sem chorar.
Em segredo, outras tantas dores, mortes silenciosas, expectativa de milagres e esperança de liberdade. Meus anos de juventude foram assim.
E demorei para perceber, malgrado presidentes intragáveis, que vivíamos numa democracia. Meus filhos eram crianças, ficaram jovens, por fim adultos e mesmo com o atraso ordinário desse gigante que não desperta, havia a fé inabalável em dias melhores. Bem, que dias melhores se insinuaram em liberdade, com eleições regulares e decepções de praxe, era assim. Mas, à sombra da falta eficiência, da falta de agilidade, de retrocessos gerenciais que, contudo não destruíam de todo o sonho, ainda sobrevinha a ideia de que, calma estamos chegando.
Nunca mais a menosvalia dos desmandos, das falas hipócritas de generais alinhados aos seus próprios interesses; nunca mais a angústia dos olhares perplexos, na rua, na praça, na padaria, quando notícias falsas estalavam em nossos tímpanos sem que pudéssemos sequer contestar ou quando manchetes estampadas desafiavam nossos olhares desconfiados: chega, acabou! Agora teremos liberdade, democracia.
De repente, em meio ao caos, viramos fiscal do governo, esperança, saímos às ruas de cara pintadas, esperança, convivemos com 5000% de inflação, mas sobrevivia a esperança. Tantos dígitos, mãe? Sim! Zeros foram cortados apenas para que calculadoras de mão dessem conta das contas.  A residente e resistente esperança seguia alicerçada na confiança de nosso futuro sem a tutela do Estado opressor, tutor, censor e – por que não dizer? – criminoso.
Expressões como “farinha do mesmo saco”, “todos comem no mesmo cocho”, “político é tudo igual e nenhum presta”, na era da liberdade de imprensa recém-restaurada, foram até mesmo se espaçando. Houve um quê de República em nossa sociedade libertada, acrescida da derrota da inflação. Coroando o êxito no caminho da democracia, do liberalismo, o Brasil elege um ex-operário para Presidente. Convenhamos, guinado, um pouco, a uma, aparentemente, esquálida esquerda, mas fora esta que nos abastecera por anos, ainda que vagamente, da ideia de um país com bem estar social, que deveria ser erigido sobre nossos traumas e que nos envolvia na esperança acalentada, desde os anos de chumbo: após os acertos estruturais, enfim, buscar justiça social.
Hoje não é constrangedor confessar: jamais votei em Lula, mas preciso reconhecer: acreditei nele. Vou dar um salto, que afinal não há brasileiro que ignore o que, enfim, foi e está sendo o reinado petista: ampla escória, com seus vassalos acastelados e calados pelo famoso vil metal. Status estabelecidos,  feudo posto, sobrou para nós, chusma exausta, sermos os servos de imensa e inútil casta e entregarmos a ela 40% de nossa produção para que possa, agir com a extraordinária prodigalidade. O Estado ainda não mostrou ser assassino, mas é criminoso e voraz vampiro do sangue de uma nação. E nada de contrapartida. Menos ainda justiça social. Somente a cotidiana recepção dos mais escabrosos, escandalosos, sujos e espúrios escândalos que parecem não ter fim, nos expondo a nova ditadura:  A ditadura do conchavo.

O Estado brasileiro mostra que sobrevivemos acéfalos, que não há um só membro imprescindível neste detestável e incompetente partido, não há um só membro confiável neste farfalhar de discursos falsos, lidos com eloquência ensaiada e vazia. 

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

INTOLERANTES, AGORA SOMOS TODOS INTOLERANTES


Que me espanta, espanta, saber que ainda existem brasileiros defendendo Lula, Dilma, seus governos e seus aliados. Mas, mais ainda me espanta são  teses  estapafúrdias, às vezes ingênuas, tolas ou, pior, muitas vergonhosamente desonestas,  que lançam em defesa do que ai está posto e que afronta 90% dos brasileiros, sendo boazinha.
A mais surrada é a de Golpe. Mas esta, já era, nem é preciso mais desmontar, a tese apodreceu a fatos abertos. E só pra resumir: a legitimidade de um cargo eletivo não está apenas na sua eleição, pelo voto, mas no exercício do mandato. Pelo mesmo mecanismo que lhe confere o cargo, o diploma, é também possível cassa-lo: a lei, a Constituição. Portanto, não há golpe em curso.
Outra bobagem flagrante é que estão nas ruas a direita reacionária que quer a volta dos militares, ou a chamada elite branca com suas panelas gourmets (nem sei o que isso significa), nas varandas dos Jardins. Nem 0,5%  dos brasileiros dos grandes centros querem militares de volta. Essa inexpressiva parcela da população agora está levando seu recado para o mundo! Artificialidade e boçalidade dão por encerrada esta tese tosca.
E por ai vai, já que nenhuma prospera. O que ninguém observou claramente, é que quem vai às ruas é a classe média, a abominável classe média de Marilena Chauí (ela deve ter arrependimento mortal de sua fala, que enterrou sua fama de intelectual), quiçá boa parte da IMENSA classe média de Dilma (aquela que ganha de 700 a 1200 por mês).
Mas eu estou perplexa mesmo com a última tese, já presente na fala de alguns ministros. Eles não saem de uma entrevistinha qualquer sem lança-la: a tese da INTOLERÂNCIA. Lá vem o termo com jeitão de politicamente correto, com seus arautos posando, por cima, de democráticos, como se o termo fosse um valor em si. Pra variar um engano, outro.
Para começar TOLERAR  é um termo inequívoco e significa ter paciência, suportar com indulgência. Tolerar também carrega o significado de admitir, dar tácito consentimento.
Ora, como podemos suportar com indulgência? Ou ainda, dar tácito consentimento a tudo que assistimos, perplexos, todos os dias desde o MENSALÃO, há dez anos? Só há uma forma de dizer não a isso tudo. Indo às ruas. Nós, brasileiros não somos por essência, mas ESTAMOS INTOLERANTES, sim e desculpem a liberdade sintática. Mas, de fato, ESTAMOS INTOLERANTES.
Intolerantes com a corrupção claramente posta, mas que  não atinge seus mandatários;
Intolerantes com a crise econômica avassaladora  que é resultado exclusivo de uma política econômica irresponsável, equivocada e, ademais, recheada de mentiras;
Intolerantes com a quebra da PETROBRÁS e sua total desvalorização por ter sido simplesmente assaltada por uma quadrilha;
Intolerantes em ter clareza que esta quadrilha não é formada apenas por mega empresários, altos funcionários da estatal e políticos de segundo escalão e até mesmo do chamado baixo clero;
Intolerantes com o uso da máquina  pública para a perpetuação no poder com flagrantes efeitos nos resultados dos pleitos;
Intolerantes com os serviços de Saúde caóticos, hospitais sem leitos ou médicos desmentindo a publicidade escandalosa;
Intolerantes com  Programas de Saúde como o Mais Médicos que ainda expõe, ademais sua ineficiência,  a face criminosa de um Regime que fornece ao profissional (aqui o médico), apenas 20% do valor pago por seus serviços;
Intolerantes, de como  uma escandalosa contratação de Médicos permanece sem que nenhuma Instituição (como  Ministério Público ou a Ordem dos Advogados do Brasil) enfrente e desmantele;
Intolerantes com a Pátria Educadora que se firma na estrada a publicidade para enganar o povo e perpetuar a ignorância;
Intolerantes com o uso do dinheiro dos pagadores de impostos e que carrega a absurda proporção de 75% dos recursos sendo usados na MANUTENÇÃO DO ESTADO e Previdência Social e o restante para TODO o resto.
Intolerantes, aliás, com o tamanho do Estado que transformou o brasileiro em SERVO dos Senhores dos Castelos do Planalto Central, na reprodução perversa do sistema econômico medieval;
Intolerantes com a carga tributária que ainda pretende ser maior;
Intolerantes com o governo perdulário que torra o dinheiro dos pagadores de impostos na mais escandalosa e flagrante apropriação indébita.

Eis senhores Ministros, nossa intolerância, acrescentando aqui uma visceral intolerância ao PIXULECO.

domingo, 3 de maio de 2015

Ainda há o que dizer sobre o confronto do Paraná

Uma jornalista – segundo li da Globo – escreveu um texto dito ponderado sobre o tema. Não consegui achar seu nome que esqueci, no dia seguinte que li seu texto, que ficou ali, implorando umas respostas. Terei de cita-la fora do contexto e sem citar seu nome. Mas não serei deselegante, podem acreditar. Desculpem minha falha... Se podem desculpar o JN, por que não eu que terei poucos leitores?
Antes, pulemos a conversa sobre aqueles que pensam que, quem se colocou contra os blacks e os mascarados são os que  ENDOSSAM a violência policial, estão CONTRA os professores ou, não podia faltar esta, são tucanos defendendo o governador do estado do Paraná. Nada disso. A violência foi deplorável. Houve excessos, feridos, sangues. E eu não precisaria dizer que sou contra a violência.
E vamos ao que interessa: é preciso observar que este movimento não é exatamente o primor de respeito à lei e aos princípios democráticos – que possibilitam, inclusive, que se possa fazer a greve, manifestar-se. E menos ainda que estivessem presentes “alguns infiltrados”, “alguns provocadores”, como escreveu a jornalista – cujo nome não me recordo, repito - em seu introito.
Mentira: estava coalhado de provocadores, aliás, vamos deixar claro também que não eram meros provocadores, menos ainda “infiltrados”. Nenhum desses termos reflete a realidade, são eufemismos para aqueles que ali estavam – muitos deles mascarados – previamente admitidos para o confronto. E este, de fato, é um dos pontos cruciais desse debate que não cessa: Não é aceitável que um movimento DE PROFESSORES permita em suas fileiras mascarados, provocadores trazendo estilingues, pedras e paus. Era necessária a clara premissa que todo o processo seria pacífico. Qual é o propósito de ir a uma manifestação com paus e pedras nos bolsos? Dialogar? Além disso, havia barracas fabricando coquetéis molotov, ali, na hora, e entregues como se fosse pão quente. 
Admitir a fabriqueta comandada por pessoas que incitavam a outras a pegarem os recém-fabricados coquetéis molotov para atirar contra a polícia é atitude de professor? Se isso não é um confronto, é o quê? Um convite ao diálogo?
Vão dizer: ah, mas isso só seria usado caso a Polícia os confrontasse. Coquetéis Molotov preventivos? Falácia facilmente determinada, afinal, a polícia estava ali exatamente por reconhecer o risco eminente do confronto. Confronto violento, assinado pelos coquetéis molotov, faça-me o favor! Deveriam, isso sim exibir suas canetas, quem sabe bandeiras verdes, amarelas, brancas. Falta o que aos professores? Inteligência? Argumentos? Criatividade?
À jornalista que pondera de modo mais moderado que o usual sobre todos os episódios, gostaria de expor mais algumas considerações.
A primeira, sobre o fato da Assembleia – sem acento – ter sido fechada: Sim, diz em seu texto, esta é a casa do povo e não o castelo das autoridades. O estilo neste caso não serve ao real. A Assembleia foi fechada preventivamente, vetada sim, a entrada dos professores, por ordem da mesma justiça que determinou a ilegalidade da greve.
E por quê? Para quem não sabe por que em fevereiro este mesmo grupo e este mesmo sindicato invadiram e depredaram a Assembleia, ameaçaram parlamentares e, agravante, o Sindicato (APP) já expressava a pretensão de um novo cerco e nova invasão. E quem é que não viu os diversos vídeos mostrando “professores” tentando quebrar as grades da Assembleia? Para quem não viu segue ao final do texto, os links de alguns vídeos bem eloquentes em relação ao comportamento dos grevistas.
Mais fatos, para entendermos o que houve:
Sucessivas negociações acerca das alterações no Sistema de Previdência do Estado foram feitas sem alcançar os resultados esperados pelo sindicato que representa os professores. E entramos no primeiro túnel: este Sindicato é um braço do PT, ligado à CUT – nem precisamos combinar que fica fácil concluir que o componente político da greve está claramente posto. Não há causa trabalhista para a greve (os salários do Paraná estão entre os mais altos do país), nem qualquer outra razão - a questão das aposentadorias, resume-se ao maior impasse de todo sistema previdenciário: ou se faz uma reforma ou todo o sistema vai quebrar. Em 15 anos estará sem recursos para pagar apenas os beneficiários dos próximos 5 anos, que dirá de todos. Aliás: a Cut e o PT deviam fazer igual reclamação em relação ao prejuízo causado por má gestão aos fundos de pensão dos Correios que estão, inclusive desejosos de transferir para TODO nós, pagadores de impostos, a conta.
Mas não pretendo discutir as medidas, as mudanças, deixemos este embate para os políticos e economistas. Mas, é bom lembrar que elegemos os políticos com a prerrogativa de agir em nosso nome, também nesses casos e numa democracia devemos apenas e tão somente nos submeter a tais decisões, a menos que firam a lei.
Mas, sem acordo entre governo e sindicato, foi convocada novamente a greve. E esta foi declarada ilegal pela justiça – é, numa democracia a justiça tem este poder. A lei de Greve foi votada também por nossos representantes, no entanto os professores e seu Sindicato ignoraram a decretação da ilegalidade da greve.
E isso é aceitável? Então é assim? A justiça julga ilegal uma greve e sou impedido de fazer greve? Bem, devo advertir a quem ignora o fato que sim, a justiça pode julgar ilegal uma greve e ela não poderá continuar e, em se continuando, pagará o Sindicato, multa estabelecida na mesma sentença.
E o que temos, afinal? Um grupo que descumpre uma decisão da justiça, prejudicando inclusive crianças e jovens, já que a greve pune exatamente estes, num país onde a educação está à beira do colapso. E pode? E quando forem os médicos? Pode também? E se forem os metroviários? Pode? Se forem lixeiros? Pode? É preciso ser ingênuo para defender essa possibilidade. E já estamos falando aqui de transgressão.
Bem, e quanto aos cães? Há muita indignação e posições contrárias ao uso de cães pela polícia. Eu indago: E pode a polícia soltar os cachorros sobre pacíficos grevistas?
É, não pode. Menos ainda defenderei aqui o policial que falhou em segurar devidamente o BitBul que atacou o cinegrafista. Mas, quem viu o vídeo viu também que não foi deliberado, e sim um acidente. A jornalista afirmou que os policiais soltaram os pitbulls sobre as pessoas. Não vi isso em nenhum vídeo e evidentemente este seria um excesso a ser punido com rigor. Mas os cães, que se sabe, são usados para que as pessoas não se aproximem dos policiais e não para ataca-las.
Mas dai a afirmar que um policial com pitbul não pode estar bem intencionado configura inferência ou mera digressão. Nada a dizer.
Também é preciso reiterar que a Polícia tem como função precípua a manutenção da ordem e detém também, pela lei, o monopólio do uso da força.
Virou reacionária, Roxana, defendendo a polícia agressiva, violenta, corrupta? Claro que não. Mas defendo sim, suas funções precípuas. E sou tão reacionária quanto Voltaire: “Para que um governo não tenha o direito de punir erros dos homens é necessário que esses erros não sejam crimes. Os erros somente são crimes quando perturbam a sociedade. Eles perturbam a sociedade desde que inspirem fanatismos: é preciso, portanto, que os homens comecem por deixar de ser fanáticos a fim de merecer a tolerância.” (Tratado sobre a Tolerância). Li hoje, por coincidência. Capítulo XVIII pg 96, edição de Bolso L&PM.
Perturbação da ordem é a mínima pretensão de um movimento que leva pessoas com paus e pedras – não podem levar armas de fogo que ai é cana certa – e estabelece uma fabriqueta de coquetel molotov no local. A menos que assassinemos a lógica, não podemos chamar esse movimento de pacífico.
Reacionária, positivista, ideóloga do progresso, etc, até de nazista já me chamaram. Mas são as leviandades oriundas da falta de argumento.
A paz pública é bem de todos e para mantê-la a mesma sentença determinou que a força policial se posicionasse em torno da Assembleia, com seus cães, com seus frascos de pimenta e suas bombas de “efeito moral” (SIC) – detesto este outro eufemismo. E polícia é posta nas ruas para dialogar? Não. A etapa do diálogo estava superada. Houve diálogo, mas não houve resultado. Quem são os culpados pela ausência de consenso? Francamente? Não sei. Posso intuir, mas não sei.
Mas a força policial foi desproporcional, Roxana, você não viu? Bem, não sei dizer qual a proporção de forças seja adequada a um grupo que porta pequenas bombas caseiras.
Afirma ainda a jornalista que não se atacam manifestantes, ainda por cima professores, com a ferocidade usada pela polícia do Paraná. Observemos uma frase que expressa uma verdade e que precisa ser lida também em sua sublinha: “ainda mais professores”. Por que faço este destaque? Por que professores, presumivelmente, são pacíficos. Não saem quebrando e invadindo prédios, não saem com paus e pedras em seus bolsos, menos ainda jogando coquetéis molotov por ai. Mas, claro está e a polícia já sabia que não eram professores, mas sim um grupo disposto a quebrar, jogar pedras, confrontar. Confrontar a polícia em qualquer lugar do mundo dá exatamente o que se deu. A Polícia vai agir para eliminar o problema, cumprindo ordens.
Gosto disso? Não gosto, mas não gosto mesmo. Mas são fatos que jamais devem ser ignorados, menos ainda por professores, conhecedores desses fenômenos. E acho que devem ser investigados e punidos toodos os excessos praticados pelos dois lados do confronto.
E em mim ecoa certo horror admitir que sim, havia professores e sim, estavam dispostos ao confronto. (Michaelis sig – confrontar – vtd – pôr-se defronte reciprocamente).
Faltou ainda discutir uma tese inefável, na acepção não relacionada ao divino do termo. Diz a jornalista que os professores e seus sindicatos andam em má companhia (SIC) por que há décadas a profissão vem sendo sistematicamente sucateada no Brasil – e diz mais: se fosse professora também sairia quebrando tudo por ai. Não duvido, há muita gente que reconhece legitimidade nesses atos.
Mas, por partes. Em primeiro lugar há um erro antológico nesta afirmativa: professores ganham mal desde os mais remotos tempos. Na Grécia Antiga sequer recebiam por seu trabalho, por seus ensinamentos, considerado – e quantas vezes já ouvimos isso? – um sacerdócio. No Brasil restou o ranço dos tempos de Colônia, da sociedade agrária com a educação considerada desnecessária para quem ia apenas plantar e colher, explorar minerais, etc. A educação era praticamente um ornamento. Como essas fórmulas se reproduzem ou pior, mantem-se no viés dos planos, dos processos, chegamos ao século XXI com os professores, particularmente aqueles que escolhem o ensino público para lecionar, com sua carreira reduzida a péssimas condições e salários bem abaixo do esperado. E naturalmente saber isso não representa aceitar tal modelo. E é necessário realmente haver contínua mobilização da classe para melhorias e deixo pra lá este discurso que não ultrapassa o óbvio, do posto, do sabido.
No entanto, o que mais chama minha atenção na questão do professor, especialmente nesse confronto de Curitiba, que, ninguém parece compreender, é esta categoria, que representa conhecimento, que deve representar a vanguarda dos processos e das ações transformadoras, que está intimamente ligada à ética e licitude de suas ações submeter-se a tutela de um sindicato que impõe força, premissas falsas, motivações politicas em suas manifestações, denegrindo-as, desqualificando-as. Os gregos conheciam a natureza das coisas e afirmavam algo que o prof. Clóvis de Barros resume em divertidas falas: a borboleta borboleteia, o vento venteia, o ar areia. E eu sou obrigada a pronunciar uma novidade: a polícia policeia. Professores, devolvam aos seus movimentos clareza, mãos limpas, braços abertos e não haverá polícia, não haverá cães, não haverá spray de pimenta, não haverá coquetéis molotov, paus, pedras, estilingues. Apenas o apoio de seus pares – que anda baixo – e poderiam angariar mais, talvez até dos estudantes e seus pais. Ou, legado deste movimento será, no mínimo, a controvérsia. Perderam os professores, a unânime aprovação de seus atos e na sequência, o vigor de seus discursos.